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Homenagem a Jerônimo Francisco Coelho

Mensagem do Sereníssimo Grão-Mestre em Florianópolis, dia 28 de julho de 2010.

As três Potências Maçônicas sediadas nesta Unidade da Federação – aqui presentes, quais sejam: o Grande Oriente do Brasil / Santa Catarina (GOB-SC), a Grande Loja de Santa Catarina (GLSC) e o Grande Oriente de Santa Catarina (GOSC) – concedem-nos o privilégio e a honra de lhes traduzir, neste ato, a homenagem que rendemos ao notável catarinense Irmão Jerônimo Francisco Coelho, extensiva aos homens que alicerçam a imprensa barriga-verde.

Os traços biográficos do Irmão Jerônimo Coelho estão gravados nos anais da gloriosa História do Brasil, na memória da Imprensa Nacional e Catarinense e fazem parte de importantes conquistas da Maçonaria, sendo referencial entre os homens de bons costumes. É preciso, de tempos em tempos, proclamá-los de público para que sirvam de exemplo já que nada é mais digno do que ser exemplo para as gerações futuras.

No mundo conturbado de hoje, repleto de obstáculos às boas ações, conforta saber que a Maçonaria persiste por séculos na pregação dos mais sábios ensinamentos, ainda que todo seu esforço contraste, claramente, com tantas mazelas que impedem o pleno exercício da cidadania e tendem a amordaçar a voz do povo.

Conforta saber que o Irmão Jerônimo Coelho, homem de coração extremoso e afeito ao bem, jamais se ausentou da luta pela liberdade de consciência; conforta saber que ele jamais se deixou influenciar por interesses minúsculos.

Patrono da imprensa barriga-verde, o Irmão Jerônimo Coelho lançou em nosso solo “O Catharinense”, jornal que pregava o princípio de que somente com uma imprensa livre era possível lutar contra “os poderosos”, contra o “cerceamento de expressão”. Circulava sob a legenda: “União e Liberdade, Independência ou Morte”, sempre encimada pelo pensamento:

“Se o crítico mordaz censura a imprensa,
quem não escreve, que faz? Que pensa?”,

ideário que até os dias atuais inspira as palavras ditadas pelos homens da imprensa catarinense, dando-nos mostras de que não estão indiferentes às investidas que privam o ser humano dos direitos e deveres de cidadão e da sua liberdade de consciência.

Ao lembrarmos, nesta data, a memória do Irmão Jerônimo Coelho, ressaltamos sua atuação como homem público, um “Construtor Social” por excelência, que sempre esteve revestido de extremo dinamismo, com acentuada eficiência nos mais altos níveis hierárquicos sob sua responsabilidade. Ressaltamos:

“comportamento que devia ser a inspiração
daqueles que, hoje e sempre, almejam
exercer cargos na administração pública”.

Em todas as áreas em que atuou – como militar, engenheiro, cientista, poeta, jornalista, político ou maçom, o Irmão Jerônimo Coelho destacou-se por comprometimento invulgar.

Caracterizava-o a capacidade de acumular funções e conduzi-las sempre a bom termo, desde o tempo em que serviu ao Império, mormente no reinado de D. Pedro II, onde sua atuação se fez sentir de forma mais completa, fixando marcos indeléveis em todos os círculos políticos e administrativos da Província e da Nação. No exercício de suas funções militares, assumiu o Ministério da Guerra por duas vezes e esteve à frente da Marinha, deixando legado de trabalho austero, probo e, acima de tudo, revestido de extrema seriedade no trato dos recursos públicos.

Graças à sua reconhecida capacidade de arquitetar planos estratégicos é que foi possível por cobro à Revolução Farroupilha e o conhecimento adquirido ao longo de uma legendária carreira nas Forças Armadas revestiu-lhe de autoridade para elaborar um regulamento capaz de promover ampla reforma nas escolas militares então existentes. Estes, dentre outros feitos, honram a todos nós, brasileiros.

Como político, quer no Legislativo ou no Executivo, o Irmão Jerônimo Coelho guardou comportamento irrepreensível, a par da sua honestidade a toda prova, jamais se deixando seduzir ou empolgar pela mera paixão partidária. Sua busca era por projetos e realizações que considerava de interesse nacional. Tal postura era respeitada por seus pares, que não desconheciam as razões maiores que o motivavam. Constam do seu relatório, no momento em que se afastava do Governo Provincial, as seguintes palavras:

“Não partilhei com ninguém o exercício da
minha autoridade: governei só e errei só.
Nunca admiti confidências auriculares e
nenhum ato de minha administração foi
por alguém anunciado em praça pública”.

A Maçonaria, de acordo com seus princípios filosóficos, nunca esteve e não está indiferente à ação dos políticos e tem guardado vigília, levantado bandeiras na direção de se exigir, sobretudo desses homens públicos, comportamento ético e moral.

Neste sentido, é necessário que a sociedade saiba dos fatos com transparência; é preciso que a sociedade esteja bem informada para que possa tomar atitudes capazes de por um basta à corrupção que medra nosso País; que o povo saiba escolher seus representantes com liberdade e, acima de tudo, com responsabilidade, sabendo interpretar as reais intenções dos candidatos que se apresentam como arautos do bem.

Neste aspecto, é de se destacar que o meio mais confiável, mais seguro e eficaz é aquele proporcionado pelo advento da Imprensa Livre. Esta é arma capaz de municiar o cidadão na intransferível e delicada tarefa de eleger seus representantes. É fundamental que esses formadores de opinião contribuam para a adequada e urgente formação dos “construtores sociais” que são tão necessários neste momento em que Sociedade clama por quem ecoe seu brado de inconformismo e que possam contribuir para um mundo melhor, mais justo, mais equitativo.

Platão acreditava que “o Estado é o que é, porque os cidadãos são o que são”. Sob esta ótica, não podemos esperar ter um Estado melhor enquanto não tivermos cidadãos melhores.

Assim, ao nos aproximarmos de mais uma eleição majoritária, proclamamos o quão urgente é impedir que a incompetência e a improbidade administrativa prosperem, que continuem instaladas ou que venham a se instalar nos diversos cargos públicos, em quaisquer de seus níveis de gestão.

É preciso que, com o advento das eleições que se aproximam, saibamos escolher e trilhar o caminho capaz de modificar substancialmente o quadro político da Nação; é preciso eleger perfis aderentes àquele do Irmão Jerônimo Coelho!

Só assim estaremos oferecendo condições para um Brasil livre daqueles que se aninham no poder para trabalhar, exclusivamente, em causa própria.

Nós, Maçons, ombro a ombro com os homens livres e de bons costumes, temos deveres inarredáveis para com a Pátria e para com a Humanidade. Cultuamos o civismo e o patriotismo com justo orgulho e nosso trabalho é voltado para a felicidade do gênero humano, com respeito às leis e às autoridades constituídas. Que saibamos usar as armas que dispomos para combater, com a persuasão e a força moral do bom exemplo, tudo que atente contra a razão e o espírito fraternal que deve unir todos os homens de boa vontade.

Estamos certos que os profissionais da imprensa, aqui presentes, continuarão a honrar a memória do seu Patrono – Jerônimo Francisco Coelho, que assim se expressava com relação ao temor que os políticos sempre deixam transparecer quanto à Liberdade de Imprensa:

“...eles jamais poderão encarar a imprensa
livre sem horror porque, por meio dela, os
seus crimes e suas tramas serão sempre
expostos ao conhecimento dos povos...”.

Muito obrigado!


José Domingos Rodrigues
Grão-Mestre

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